segunda-feira, 20 de abril de 2015

ANTROPOFAGIA QUASE INDOLOR

Em todos que a mim chega encontro poesia.
Uns são como aperto de mente bom,
me põem a falar sob a tortura do afeto.
Outros, ambivalentes como o mar,
me puxam e empurram numa impermanente decisão de ficar, sem admitir.
Tem quem me banhe de letras, compondo comigo, 
me vendo com lábios de admiração e virando uma inspiração que aspiro.
Os que me tocam os cílios com tanto desejo que reverbera no indizível da alma, talvez.
Alguns me nutrem com a transcendência de quem não se deixará tocar, mas se deleitam em contemplar minha espera.
Há os que denunciam minha transparência, de tão constrangidos
pelo olhar com que devoro, sem temperar mesmo.
Estou satisfeita, por hora, afinal poesias são, 
porém das que não se pode conter num livro.
Mas também das que levo onde posso,
pois poesia quando é gostosa, mora na boca de quem a come. 

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