sábado, 23 de janeiro de 2016

SUMIÇO, SUMI SÓ

Eu, sumi!
Sumi pra não surtar,
sumi pra não voltar ao mesmo lugar, incômodo,
sumi pra ver o fogo ser espantalho da dor
e o ardor da pressão de existir desistir.

Que delícia sumir sem sair!
Perder-se em casa tateando a escuridão,
gatos pelo chão,
coração de não, feliz, sem autorização.
Feliz sem mentir pra ir,
feliz por ser o que pensa
e ouvir a voz intensa de quem some comigo.

De quem some.
De quem?
Só!

E nada sumirá,
pois o tudo é o nada,
o universo é você,
eu uno versos sem ver,
e volto de um lugar especial aonde nunca fui.

TINTA DA PAZ

Paradoxais são os riscos permanentes na mente,
para não esquecer que a permanência é inexistente.

Sonhos reveladores
sobre abusos abolidos, lavandas e felicidade,
eu nem tenho idade pra ser dona do mundo.

Alheio, o vejo, penso-o tenso
e vou nadar na tinta da paz,
pena que ela é tão fugaz.

Como as mandalas de areia
eu passo e me refaço quase sem saber porquê.
Eu nunca acho
e a procura me sustém!