segunda-feira, 20 de abril de 2015

ANTROPOFAGIA QUASE INDOLOR

Em todos que a mim chega encontro poesia.
Uns são como aperto de mente bom,
me põem a falar sob a tortura do afeto.
Outros, ambivalentes como o mar,
me puxam e empurram numa impermanente decisão de ficar, sem admitir.
Tem quem me banhe de letras, compondo comigo, 
me vendo com lábios de admiração e virando uma inspiração que aspiro.
Os que me tocam os cílios com tanto desejo que reverbera no indizível da alma, talvez.
Alguns me nutrem com a transcendência de quem não se deixará tocar, mas se deleitam em contemplar minha espera.
Há os que denunciam minha transparência, de tão constrangidos
pelo olhar com que devoro, sem temperar mesmo.
Estou satisfeita, por hora, afinal poesias são, 
porém das que não se pode conter num livro.
Mas também das que levo onde posso,
pois poesia quando é gostosa, mora na boca de quem a come. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

INJUSTIFICÁVEL

Eu também falo do que vejo.
Eu vejo abordagem da minha janela.
Várias!
Vejo gente apanhar sem razão.
O treinamento foi esse?
"Tira a roupa, deita no chão! Tá fazendo o que na rua essa hora?"
Não tinha arma,
mas é pobre.
Não tinha drogas,
mas é negro.
Não resistiu,
mas foi humilhado.
Não tinha motivos,
mas foi agredido.
Da janela, pensei ter sentido a dor,
mas não era eu quem sangrava.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

LINDO SOM DE FIM

Cantou pra ninar o amor,
madrugou pra aninhar a dor.
Foi tempo!
Somando o amor e a dor, deu beijo!

Na praça se ajeitou, eu vejo.
Em suspensão sinto:
era morte e nascimento,
num único momento.

Tudo o que precisava ver, 
estava alí dentro!
Desprezou os óculos e voltou ao apartamento.
"Bis" ecoava em seu pensamento.

Era o início da viagem,
do ardor, do encantamento,
dedicação e emaranhamento.
Míope tolice, o fim é sempre óbvio,

pernas em cruzamento,
o ouro do cacau, livros, confusão...
Lindo som de um fim que,
não rimou.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

FABRICAÇÃO: 2013

O cansaço é alimento pra tudo que é estático,
pra tudo que é baseado na ignorância.
É preciso desejo pra reagir, mover-se,
pra obter razões e motivações,
porém há quem tenha preguiça de ser.

É possível desejar não existir,
mas só deseja quem existe.
Só que há rigidez!
Há insegurança!
Uma máscara, talvez...

E pra completar... chove.
Pra quê poças de fantasias?
Inutilidade ou equilíbrio?
Deixa inundar, pois quem nunca morreu um dia,
nem sabe que viveu.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

TRÊS TEMPOS DO QUE FOR

Começou:
Dias em horas, meses em dias,
extremamente relativa temporalidade.
Encaixe perfeito da necessidade...
Caminhos, estradas e uma passagem.
Entre!
Seguiu:
Tentativas frenéticas de responder respostas,
sentidos aguçados e uma tempestade de miragens.
Cada demorado piscar de olhos é uma lembrança,
cada lembrança vem acompanhada de um sorriso que chora.
Acabou:
Estranha e inexplicavelmente é no vazio que me encontro.
A ausência que já incomodou, hoje traz respostas.
A vida seria insuportável se fosse total.
Gosto do nada!
Gosto de você, mas só até o ano passado.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

UM ESCUDO FEITO DE DESEJO

Sorriso mascarado de desejo, esconderijo...
Fez!
Do outro verdadeiro anelante.
Insensatez!
Manteve por um instante,
da paixão a estupidez.
Incerteza constante...
Outra vez!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

QUANDO O MEDO DORME

Novos caminhos me atraem:
diversa eu fico,
de verso eu vou.

Mas em trilha conhecida,
enxergo até de olhos vendados.
Sei quem me toca e sinto,

pois o infortúnio não é a treva.
Ausência de afeto sim!
Já amou no escuro?

domingo, 5 de abril de 2015

LABIRINTO DA MUDANÇA

Me vejo, revejo e almejo algo aqui,
pois o além só existe se eu viver.
Me inquieto, quase não me autorizo, ou não.
Saber decidir ir...
Desci de mim, subi no desconhecido,
o abriguei aqui e... 
Incho de certezas duvidosas,
que me borboleteiam, provocam e coçam,
convocando meu mundo a se desapegar do eixo.
Me deixo!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

AGORA

Carnaval em Salvador...
Pipoca só lá
Já o "pipoco" é cá
E é agora!
E quem vê artilheiro onde não há,
uma "bolada" na cara não se importaria em tomar?
Quem dorme?
Mas entre os tiros rolava uma música no bar.
Era essa:



quinta-feira, 2 de abril de 2015

PRA ENTENDER

"Que cabelo de bombril é esse, menina?"
Respondo...
É o de quem quando pequena e manobrada, perguntou:
"Como eu faço pra o meu ficar igual ao dessa mulher na revista, mãe?"
Hoje, é a força de quem já sabe de onde veio
e entende que querer é poder ser.
Cabelo de quem quer te ajudar a transcender.
Esse é o cabelo de quem valoriza os que foram oprimidos para que hoje eu possa dizer:
É meu, é black e é poder!

Me trate com respeito, se souber,

mas se insistir em me descaracterizar, quem vai cair é você.
Cortar? Corte o seu!
Amansar? Amanse o seu! 
E continue nessa cegueira existencial,
engolindo a história mastigada que te injetam garganta abaixo, se quiser.
Da sua insistência na ignorância eu levanto meu acampamento,
mas não abaixo meu volume nem por um momento.
E por falar nisso, cadê meu ouriçador?  

ANTES

Eu quero pintar uma árvore
e plantar um quadro na sua galeria.
Sem pregos, sem bater nem aprisionar.
Quero mesmo é voar no mar!
Ver nascer, crescer e amadurecer
um epitáfio.
E pensar não só arco-íris, 
mas preto e branco também.
Cansar até amar,
e armar uma quadrilha pra te dançar
de um jeito ímpar.
Tudo, antes da balzaquiana chegar.
E depois Fumaça?

quarta-feira, 1 de abril de 2015

REGÊNCIA DA IMPERMANÊNCIA

Adentrando a janela um presente alado,
atado por um laço todo feito de embaraço.
Vinha sob uma chuva brincalhona,
escorregadia e sorrateira.
Num raio de sol vermelho...
Vermelho!
Vermelho como um rio de cores.
Vermelho como cor e ação de amores.
Ele pousou e repousou em mim.
Ele, o voante inigualável.
Vai! Ficando!
Enquanto a impermanência deixar...

DE SONHOS...

Meia dúzia pelo menos.
Realizar um e plantar mais trezentos:
Sobre o viver
Para sobreviver
O vazio é que move, morre e vira sonho
Virá o sonho?
Virar o sonho?
Sonhei, e virei sonho
Acordei, e me vi sendo