quinta-feira, 29 de outubro de 2015

FURTIVO AMOR

Palavras são afago na minha alma chata,
farta de fúteis toques sem dedos.
Almejo seu beijo letrado, 
seu cheiro acentuado de quem rima com o que ensina.
Não seja tão furtivo, amor!
Eu sei tocar com carinho uma flor,
banhar suas pétalas com o afeto que estoquei durante sua esquiva.
Isso é que nem esgrima, ninguém vai se ferir.
E quando precisar ir, saberei rir dessa nossa arte de gostar sem sub-trair.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

TE LEIO, DELEITO-ME

Eu cato esses cacos no chão e me faço vitral poético.
Brilho e brilho multicolorida.
Deleito-me numa escolhida e prazerosa solitude,
deleito-me com uma escolhida e prazerosa visita.
E nesse deleite, deito-me e aproveito...
Os beijos do poeta me inquietam a mente,
produzem projeções de uma forma estridente.
E arde adocicada essa mente que não mente quando diz:
Nunca, nenhum rótulo irá comportar
esse ultrapassar de limites, esse marcar a vida.
É aproveitável e inexplicável,
é veloz e inerte,
é lindo e louco.
Uma junção absurda de notas,
partitura inebriada reluzente,
inspiração que faz o momento valer ser o último.
E é!
Pois com toda a sobriedade de um ébrio,
eu te leio e sinto o gosto dessas páginas, deliciosas páginas...
E gosto e gozo para além do óbvio.
Não me sinto mais sua, não te sinto menos meu
e ainda assim, quero mais!

ENIGMATICAMENTE

Nuvens se pondo sobre o sol,
mas ele estava lá, sabemos.
As mais lindas paisagens
vistas de um mesmo lugar, diferente.
Nenhuma tarde tem suficiente luz, 
nenhuma noite nos comporta.
É que quase todos podem ver estrelas,
mas só as nossas balançam.

Agora tenho um medo brando, quase inexistente, pois:
a ágata do meu pulso brilha, o descontrole é em espiral,
e encontrará o caminho quem eu quero que chegue.
Sim, está escuro, mas certeiro será o trajeto,
o mapa quem deu foi eu...
Enquanto espero, me deleito com esses ruídos,
certos passos compõem música dentro de mim.

Chega a hora, eu vidrada na lua,
ela ocupada, nem me vê, tava posando pra você.
Você que acendeu o sol da meia noite,
eu, que cego perante tanta luminosidade,
deixo cair a pá, mas logo entendo:
o tesouro é o encontro.
Não será mais preciso cavar afeto!